ESPECIAL MYFUNCITY SUSTENTABILIDADE

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Entrevistas, pesquisas e texto: Beth Caló (São Paulo)

Cidadão consciente, que briga por seus direitos e por um mundo melhor, pensa também na preservação da vida no nosso planeta. Até porque essas duas frentes de luta são indissociáveis. Muito se fala sobre Responsabilidade Social Empresarial, Sustentabilidade, Aquecimento Global, mas poucos sabem, de fato, o que significam esses conceitos. Grande parte das pessoas desconhece, também, os motivos pelos quais chegamos onde chegamos. É preciso que a gente se informe de verdade. Não dá pra perder mais tempo: já passou da hora de sairmos em defesa da nossa vida e da vida de toda espécie humana. As grandes brigas são importantes. As pequenas também – aquelas que começam no nossso dia a dia, na mudança de hábitos e de postura.

Tudo, absolutamente tudo, em nosso planeta, faz parte de uma longa cadeia de ações e reações.  Por isso, quando a natureza apresenta um comportamento desarmônico está, na maioria das vezes, apenas respondendo a uma interferência inadequada do ser humano. Que pode ser você, seu vizinho, um fazendeiro, um empresário, um consumidor, não importa. Apontar o dedo para este ou para aquele não trará de volta rios despoluídos, florestas virgens ou temperatura estáveis. Atormentar-se com a sensação de culpa também não leva nada, já que este sentimento, quase sempre, provoca um efeito paralisante. E precisamos justamente do contrário: da ação. É desejável, entretanto, que tenhamos boas informações sobre o que está acontecendo com a Terra, quais são as ligações entre elas, para que possamos entendê-las e, juntos, buscar soluções. Aqui vão algumas pistas. Clique nos hiperlinks em vermelho. Ligue os pontos entre eles e tente perceber a figura que aparece.

A elevação da temperatura – causada fundamentalmente pela concentração de gases retentores de calor, principalmente o dióxido de carbono (CO2), na atmosfera – deve-se basicamente a dois fatores: a queima de combustíveis fósseis e ao desmatamento. LEIA MAIS…  Aquecimento global 

 A fossilização de vegetais e animais, ou de restos orgânicos na natureza, ocorreu em maior quantidade entre 290 e 350 milhões de anos atrás, na forma quase pura de carbono, formando um material conhecido como carvão mineral. LEIA MAIS… Combustíveis fósseis 

Há mais ou menos 200 anos, quando se generalizou o uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural) para serem queimados nas máquinas a vapor, os níveis de CO2 eram estimados em 280 partes por milhão (ppm). Esse índice passou para 370 ppm em 2000. LEIA MAIS… Alterações químicas na atmosfera 

 Até meados do século passado, ou seja, por volta de 1945, a população da Terra somava em torno de 2,5 bilhões de pessoas. Depois de apenas 50 anos, esse número chegou a 6,5 bilhões e, até 2040, estima-se que seremos pouco mais de 9 bilhões de habitantes no planeta. LEIA MAIS… População

 Até pouco tempo atrás, o crescimento populacional era tão lento que pouca atenção despertava. Mas, a partir de 1950, acrescentamos mais pessoas à população mundial do que durante os 4 milhões de anos que se passaram desde que nossos ancestrais, os primatas,  se firmaram em duas pernas. LEIA MAIS…Crescimento populacional e novas tecnologias

 Após o surgimento da Terra, o solo formou-se lentamente pela decomposição das rochas. Foi esse solo que sustentou o início da vida vegetal na terra. À medida em que a vida vegetal se disseminou, as plantas protegeram o solo da erosão eólica e hídrica, permitindo que esta acumulasse e sustentasse ainda mais a vida vegetal. LEIA MAIS… Erosão dos Solos

 O planeta está perdendo sua diversidade biológica à medida em que espécies da flora e da fauna são destruídas. Esse empobrecimento biológico da Terra é conseqüência da destruição de habitats, poluição, alteração climática e caça. LEIA MAIS… Diversidade biológica

Registros arqueológicos revelam cinco grandes extinções desde o início da vida, cada uma representando um revés evolucionário. A última dessas extinções em massa ocorreu cerca de 65 milhões de anos atrás, provavelmente quando um asteróide colidiu com a Terra, expelindo gigantesca quantidade de poeira e escombros na atmosfera. LEIA MAIS… Desaparecimento das Espécies  

 Quando a população se expande e a renda aumenta, a demanda pela água simplesmente suplanta a oferta em muitos países. LEIA MAIS…Escassez de água, crescimento da população e segurança alimentar

Os lençóis freáticos estão diminuindo sob extensas áreas nos três principais países produtores de alimentos: China, Índia e Estados Unidos.  A exploração exagerada é um fenômeno novo, restrito, em grande parte, ao último século. Só após o desenvolvimento de poderosas bombas elétricas a diesel foi que adquirimos a capacidade de extrair água dos aqüíferos com maior rapidez do que ela é substituída pela chuva. A extração excessiva é hoje generalizada na China, Índia e Estados Unidos, os três países que, em conjunto, colhem quase metade dos grãos mundiais. Lençóis freáticos 

O desvio da água para a irrigação e para o abastecimento das cidades também é excessivo, deixando os rios praticamente sem volume de água. O Colorado, o principal rio do sul dos Estados Unidos, hoje mal chega ao mar. O Rio Amarelo, o berço da civilização chinesa, seca durante parte do ano, privando os agricultores da água de irrigação. O Indus e o Ganges mal atingem o mar durante a estação seca. Pouca água do Nilo chega ao Mediterrâneo, em qualquer época do ano. Além disso, a drenagem dos rios desestrutura a simbiose entre oceanos e continentes — os oceanos regam os continentes quando suas águas evaporadas forma massas atmosféricas carregadas de umidade, se dirigem para o interior, e chovem. Em troca, os continentes devem alimentar os oceanos com nutrientes nas águas dos rios. Irrigação, rios e oceanos 

Um décimo da superfície terrestre é ocupado por terras cultivadas, mas o dobro disso é formado por pastos – terras muito secas, muito íngremes ou inférteis para sustentar uma produção agrícola. LEIA MAIS… Deterioração de Pastagens

 Mundialmente, as florestas encolhem mais de 9 milhões de hectares ao ano, uma área equivalente a Portugal, diz o Forest Resources Assessment, da FAO. Além da colheita excessiva, algumas florestas tropicais estão hoje sendo destruídas pelo fogo. LEIA MAIS…Florestas encolhem

Nos oceanos, pode-se também perceber o efeito prejudicial das ações humanas excessivas. À medida que a demanda por proteína animal aumentou, ao longo das últimas décadas, ela começou a exceder a produção sustentável dos pesqueiros oceânicos. Conseqüentemente, dois terços das áreas pesqueiras oceânicas estão hoje sendo explorados no limite ou além da sua produção sustentável. LEIA MAIS…Pesca nos oceanos 

Vivemos num mundo desafiado pela água, uma situação que é agravada anualmente quando 80 milhões de pessoas adicionais reclamam seus direitos aos recursos hídricos da Terra. Mesmo agora, muitas pessoas nos países em desenvolvimento não dispõem de água suficiente para satisfazer suas necessidades básicas de consumo, banho e produção de alimentos. Uma manifestação da escassez hídrica emergente são rios secos. Vários dos principais rios mundiais hoje estão secos durante certo período do ano, deixando de alcançar o mar, ou tendo pouca vazão quando o atingem. E, à medida que o mar encolhe, a concentração salina das suas águas aumenta, a ponto de não permitir a sobrevivência dos peixes. Quando os rios secam, os ecossistemas marinhos são destruídos. Exaustão dos Rios  

Temperaturas em elevação e a força das tempestades têm uma relação direta: à medida em que a temperatura do mar se eleva, particularmente nas regiões tropicais e subtropicais, o calor adicional que se irradia para a atmosfera provoca tempestades mais destrutivas.Claro, temperaturas mais altas significam maior evaporação. E a água que sobe forçosamente terá de cair. O que não está claro é o local exato onde essa água adicional vai se precipitar. Eventos climáticos extremos são mais preocupantes para os países no cinturão de furacões e tufões. Entre os mais diretamente afetados pela maior intensidade das tempestades estão: China, Japão e Filipinas no oeste do Pacífico, Índia e Bangladesh na Baía de Bengala, os Estados Unidos, e os países da América Central e Caribe no oeste do Atlântico. Tempestades mais destrutivas

Talvez a consequência  mais perturbadora do aumento da temperatura seja o degelo. No Mar Ártico, o gelo marinho está derretendo rapidamente. Em 1960, sua espessura era de quase 2 metros. Em 2001 tinha, em média, um metro. Um estudo conduzido por dois cientistas noruegueses projeta que, dentro de 50 anos, não haverá gelo na época do verão no Mar Ártico. LEIA MAIS…Aumento de temperatura e degelo 

 Lisa Mastny, do Worldwatch Institute, que analisou cerca de 30 estudos sobre esse tema, informa que geleiras de montanhas estão derretendo em todo o mundo –  e em ritmo acelerado. A massa de neve e gelo está diminuindo nas principais cordilheiras mundiais: as Montanhas Rochosas, Andes, Alpes e Himalaia. No Glacier National Park, em Montana, a quantidade de geleiras reduziu-se de 150 em 1850 para menos de 50 hoje. A U.S. Geological Survey projeta o desaparecimento das geleiras remanescentes para os próximos 30 anos. Nos Alpes europeus, o recuo do volume glacial em mais da metade, desde 1850, deverá continuar com o desaparecimento de grande parte dessas geleiras antigas ao longo do próximo meio século. O recuo de massas de gelo no Himalaia acelerou-se de forma alarmante. No leste da Índia, a geleira Dokriani Banak, que regrediu 16,5 metros entre 1992 e 1997, recuou mais 20 metros só em 1998. Geleiras nas montanhas

 O nível do mar é um indicador sensível do aquecimento global, uma vez que afeta tanto a expansão térmica, quanto o derretimento das geleiras. Durante o século XX, o nível do mar se elevou entre10 e 20 centímetros, mais da metade do que havia subido durante os 2.000 anos anteriores. Caso a temperatura da Terra continue a aumentar, a perspectiva é de maior aceleração. O modelo utilizado na avaliação de 2001 do Painel  Intergovernamental sobre Mudança Climática projeta uma elevação possível do nível do mar em até 1 metro durante o século XXI. A elevação dos oceanos tem inúmeras consequências.  A mais óbvia é a inundação, inevitável à medida em que os oceanos se expandem para os continentes. LEIA MAIS…Elevação dos oceanos

 


 

[1] A unidade utilizada no cálculo das fórmulas minerais é sempre o ppm (parte por milhão). Sabe-se que 1% é equivalente a 10.000 ppm, portanto para converter ppm para percentual, basta multiplicá-lo por 10.000. No caso, 280 ppm correspondem a 0,028%.

[2] Lars H. Smedsrud e Tore Furevik, autores do trabalho “Towards an Ice-Free Artic?”, citado por Lisa Mastny em “Melting of Earth’s Ice Cover Reaches New High” ( World Watch Brief — Washington, 2002)

[3] Artigo, intitulado “Greenland Ice Sheet: High Elevation Balance and Peripheral Thininng”,publicado pela Science em 21/07/2000 e assinado por W. Krabill. Continue lendo

Paraisópolis será mais uma vez anfitriã da Copa da Paz

Por Redação MyFunCity

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No próximo sábado, a bola vai rolar. Paraisópolis, considerada uma das maiores favelas de São Paulo, terá a sua rotina mudada. Mais uma vez, ela será palco da Copa da Paz. A sétima edição do torneio, que reúne equipes da periferia da capital, será disputada por 32 times distribuídos em oito chaves. Quem faturar a taça levará, além de troféu, premiação de R$ 18 mil. O vice- campeão garante medalhas e mais R$ 6 mil. Já para o terceiro colocado o prêmio é de R$ 3.

Mas que evento é esse que muda a vida dos moradores da comunidade? A Copa da Paz nasceu em 2008 como uma forma de protestar contra o olhar deturpado que essa região recebe da imprensa e da sociedade em geral.  Os apaixonados pelo esporte decidiram mostrar que em suas “quebradas”  havia muito mais do que mortes, roubos… Que havia uma outra história a ser contada. E parte dela pode ser vista no próximo sábado no campo do Palmeirinha, em Paraisópolis.

Os nomes das equipes ajudam a explicar um pouco sobre a vida dos jogadores: onde moram, como vivem e o que enfrentam no dia a dia.  Assim, em letras garrafais, é possível ler nas camisas , Vida Loka, ‘Interpânico,’ Vila do Fundão, Bate Fácil, Gangster, Levanta Poeira e Goteira entre outros. Você mora na região? Então não perca esse lance. Continue lendo

Dinheiro que vem do lixo

Lixo na cidade

Por Redação MyFunCity (São Paulo)

Para onde vai o seu lixo? Você já parou para pensar nos caminhos que ele percorre após o descarte? O fato é que poucos estão interessados nesse discurso. Nem mesmo a fortuna desembolsada pelas prefeituras com a limpeza urbana das cidades chama atenção para o assunto. Somente em São Paulo, o valor gasto com esse serviço chega a mais de R$ 138 milhões por mês.

Caso o Brasil adotasse políticas inteligentes para reciclagem de lixo, seria economizado cerca de 1% da demanda elétrica do país. Além disso, veria o Produto Interno Bruto (PIB) aumentar em US$ 35 bilhões. É o que sugere um estudo do Banco Mundial feito em parceria com a fundação ambiental Climate Work. De acordo com a pesquisa, se 42% dos detritos sólidos jogados em lixões a céu aberto fossem tratados em aterros sanitários e fizessem o aproveitamento do biogás e compostagem do lixo orgânico, poderiam ser criados até 110 mil empregos em de 18 anos.

A proposta de tratamento integrado do lixo é uma das “políticas inteligentes” defendida pelo Banco Mundial. De acordo com o estudo, atualmente, no Brasil, 58% do lixo produzido vão para  os aterros sanitários.  Porém, para esse tipo de política dar certo, os governos precisam investir de um a dois US$ bilhões por ano até 2030.  Além disso, a separação do lixo nas residências precisa acontecer, caso contrário o projeto torna-se inviável.

A pesquisa chamada “Aumentando os benefícios” é um preparatório para a Cúpula do Clima da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) que será realizada em setembro em Nova York. O estudo tem como foco países emergentes. Continue lendo

Paisagem de São Paulo deve mudar, propõem arquitetos

Por Redação MyFunCity (São Paulo)

São Paulo

Que tal trocar o concreto por rios? A ideia pode parecer um tanto arrojada, mas pode virar realidade caso a Prefeitura de São Paulo tope colocar em prática as propostas vencedoras de um concurso feito em parceria com o Instituto Arquitetos do Brasil ( IAB). Em ideias premiadas,  fontes hídricas que foram escondidas são reabertas, beneficiando assim, a preservação ambiental. A discussão  faz parte do que é proposto no Plano Diretor Estratégico (PDE), aprovado pela Câmara, e que tem como objetivo orientar o crescimento urbano até 2030.

Além de fazer ressurgir córregos, alguns propõem mudar a paisagem de bairros e importantes vias como a Rebouças e a Estados Unidos. Caso o poder público decida adotar os desenhos, será possível ver prédios mais altos pela cidade com área comercial no térreo e moradias ou escritórios  nos demais andares. Também defendem a criação de mais áreas verdes o que  na opinião deles contribuem para a qualidade de vida dos moradores de São Paulo.

Nos próximos meses, o assunto  deve continuar em pauta. Isso porque passada a fase da aprovação do texto, os parlamentares devem discutir a lei de uso do solo. Também acontecerá os debates por regiões, subprefeituras. Leia mais aqui sobre o tema.  Continue lendo

Terapia preventiva: uma solução para combater o crescimento da AIDS no Brasil?

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FOTO UNAIDS

Por Fátima Martinez (Belo Horizonte)

Há dez dias, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já alertava para o crescimento do números de casos de AIDS entre homossexuais em alguns países. Na quarta-feira, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) apontou que os novos casos de infecção pelo HIV e de mortes associadas à doença cresceram no Brasil nos últimos oito anos.

Segundo o estudo “The Gap Report  (é possível fazer o download do documento), o número de novos casos de Aids cresceu 11% no Brasil entre 2005 e 2013, quando cerca de 42 mil pessoas contraíram o vírus no país. Cerca de 15 mil morreram em 2013, um aumento de 7%.

De acordo com pesquisa da  Unaids, a cada hora, dez novas infecções pelo HIV acontecem na região. Pelo menos um terço dos novos casos da doença ocorre entre jovens de 15 a 24 anos. Continue lendo

Um projeto para os estádios

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Estádio Mané Garrincha/ Foto Casa Futebol

Por Fátima Martinez (Belo Horizonte)

Enquanto os brasileiros contabilizam as perdas e ganhos com os custos da Copa de 2014, dois arquitetos franceses criaram um projeto que amplia o aproveitamento das arenas construídas especialmente, no Brasil, para o Mundial.

Axel de Stampa e Ylvain Macaux, ambos do 1 Week 1 Project , criaram o Casa Futebol. O projeto não tem a pretensão de transformar ou modificar a função das arenas, que continuariam a receber jogos de futebol. Apenas insere, nos vãos dos estádios, casas populares pré-fábricas de 150 metros quadrados. Continue lendo

Nestor, um black-bloc em defesa da História

Eles querem mudar o mundo. Querem construir um mundo mais justo e igualitário. Não sem antes desconstruir valores, mitos e ícones de uma sociedade alicerçada em grandes injustiças, segundo eles. Querem quebrar ilusões, símbolos do poder, do estado, do consumo. Querem  romper com o capitalismo. Têm suas táticas – estratégias nem sempre bem vistas – e não contam com a simpatia de boa parte da esquerda e da diireita.

Já foram chamados de tudo. De vândalos, arruaceiros e até de meninos-mimados-que-não-têm-mais-o-que-fazer. Pouca gente, no entanto, sabe o que defendem os black-blocs.  Até porque sua própria militância (praticamente clandestina) os impede de divulgar abertamente sua causa. E também porque eles não confiam na chamada imprensa burguesa.

Foi uma longa negociação, cheia de idas e vindas para chegarmos até Nestor, nome fictício de um ativista que não pode ser identificado. Ele aceitou falar com o MyFunCity por julgar que nosso veículo não faz parte do que entende por “mídia corporativa”. Nós assumimos o compromisso de preservar seu anonimato. Depois de atestarmos que ele era um personagem bastante representativo do grupo ao qual pertence, abrimos espaço para Nestor. Foi uma longa e elucidativa conversa.   Continue lendo

Caneta na ferida: entrevista com Carlos Latuff

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Por Lucas Buzatti (Belo Horizonte)

Com traços marcantes, sacadas criativas e contundentes, as charges de Carlos Latuff vão de Bolsonaro, Sérgio Cabral e Alckmin até Obama e Benjamin Netanyahu. Surgem dando luz a temas espinhosos e urgentes como os direitos humanos, a desigualdade social, a violência policial, a criminalização dos protestos populares, a política de guerra às drogas, a causa indígena, a corrupção e a miséria.

Aos 45 anos, Latuff segue transpondo barreiras geográficas e temporais com seus desenhos, cada vez mais conhecidos, impulsionados pela comunicação digital: suas charges e críticas sociais são compartilhados aos milhares na rede. O tema do momento, como não poderia deixar de ser, diz respeito aos ataques em Gaza.  Latuff conversou com o MyFunCity sobre  este assunto e  também falou de prisões arbitrárias em protestos, violência policial e eleições. Continue lendo

Matança de jovens de periferia em 2006 tem seu primeiro condenado

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Débora da Silva, do Mães de Maio, fala com exclusividade ao MFC sobre a primeira condenação dos crimes de 2006

Por Flaviane Fernandes (São Paulo)

Em maio de 2006, uma onda de crime sacudiu a cidade de São Paulo. As autoridades públicas atribuíram ao Primeiro Comando da Capital (PCC) os ataques às agências bancárias, delegacias, bases da polícia e os incêndios de ônibus, além de outras ações criminosas. Como forma de retaliação, grupos de extermínios mataram mais de 600 pessoas. As vítimas dessa matança não eram bandidos? Muitos trabalhavam, tinham endereço, famílias…  Eram jovens pobres e moradores daperiferia. Apesar dos indícios sobre o envolvimento de policiais nessas mortes, pouco se apurou. Os casos foram arquivados.

Mas, as mães dos que morreram naquela semana na capital e na Baixada Santista nunca esqueceram seus filhos. Engoliram o choro, uniram forças e criaram o Mães de Maio. Após dez anos de luta, o movimento teve na semana passada uma grande vitória . O ex-cabo da Polícia Militar, Alexandre André Pereira da Silva, foi condenado a 36 anos pela morte de três rapazes assassinados em um lava- rápido na zona norte de São Paulo. É a primeira condenação dos crimes de maio. Para falar sobre o julgamento, Débora da Silva, coordenadora do movimento, falou com exclusividade ao MFC.

MYFUNCITY- Como você avalia a primeira condenação dos crimes de maio?

DÉBORA- É positivo porque veio mostrar que a luta do movimento Mães de Maio tem sentido.

MFC- Nesse caso havia uma testemunha. Isso foi fundamental não é?

DÉBORA -  Fundamental para eles, para a justiça. O judiciário não deveria depender exclusivamente de provas vivas. Ele teria que ter aprimorado na tecnologia. Quanto às testemunhas dos casos, o Estado espalha terror contra os familiares das vítimas. E essa história de proteção a testemunhas não existe. Continue lendo

Nabil Bonduki fala sobre nova etapa do Plano Diretor Estratégico de SP

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Vereador Nabil Bonduki, relator do projeto

Por Flaviane Fernandes (São Paulo)

A cidade de São Paulo possui um novo Plano Diretor. O projeto de lei aprovado no final do mês passado deve orientar o desenvolvimento urbano da cidade no período de 15 anos. Ele estabelece regras para o mercado imobiliário e tenta estimular a construção de moradias próximas aos corredores do transporte público.  Além disso, aborda outras questões como as que tratam de políticas ambientais na metrópole. Após a votação, o conjunto de normas entra em uma nova etapa que é a discussão por regiões, subprefeituras. Além disso, a lei de uso do solo prevista no PDE exige regulamentação.

O relator do projeto, Nabil Bonduki (PT) falou brevemente com o MyFunCity sobre essa fase.

MFC: Quais foram as principais dificuldades para aprovação do Plano  Diretor? 

NB: Acho que podemos falar de temas importantes que exigiram maior atenção. Como a produção de moradias na cidade, o eixo estrutural urbano que está relacionado ao padrão imobiliário na cidade e a política ambiental que se trata da criação dos parques. Continue lendo